Orgulho de vender seguro garantia

Muito além do objetivo de lucro para todo o mercado, o corretor Edmur de Almeida enxerga os propósitos econômicos e sociais desse seguro, que contribui significativamente para a conclusão de obras, dentre outras finalidades, permitindo a criação de novos empregos e a melhoria da renda.

Se o Brasil aumentasse os investimentos em infraestrutura dos atuais menos de 2% do PIB para 4,5% do PIB, como recomenda o Banco Mundial, não apenas sairia da crise, recuperando a sua economia, como também geraria mais empregos e renda e, possivelmente, daria um salto de desenvolvimento. Na esteira dessa mudança, o seguro garantia seria o instrumento ideal para proteger e viabilizar a conclusão de grandes obras, além de fornecimentos e prestação de serviços em geral. O corretor de seguros Edmur de Almeida, especializado no ramo de garantia, sonha com esse cenário – não apenas porque isso poderia significar mais negócios para todo o mercado – incluindo a sua corretora, a Alfa Real –, mas também pelos benefícios econômicos e sociais decorrentes da utilização desse instrumento.

Apaixonado pelo seguro desde quando iniciou sua carreira no setor aos 14 anos, ele admira o propósito nobre desse mercado. “Tenho muito orgulho de participar de uma atividade extremamente necessária para as pessoas e as empresas, impactando diretamente a economia dos países”, diz. Edmur se recorda do quão reflexivo ficou após ler várias vezes, mais de dez anos atrás, o artigo “Um dia sem seguro”, escrito pelo então presidente da CNseg, João Elísio Ferraz de Campos. “Sem o seguro, aviões não levantariam voo, navios não sairiam dos portos, não haveria atendimento médico… Ou seja, o mundo pararia”.

Caso o Brasil se desenvolva da forma como Edmur projeta, o seguro garantia também cresceria muito. Todos ganhariam com isso: corretores, seguradoras, resseguradoras, segurados e outros players, mas, principalmente, a sociedade. Foi essa percepção e mais o gosto pelo estudo, especialmente da técnica de seguros, que fizeram Edmur se tornar um dos maiores especialistas do país em seguro garantia. A maior parte da sua carreira de 44 anos foi dedicada a esse ramo, sobretudo nos quase 25 anos em que está na corretagem.

Nas primeiras duas décadas da sua trajetória profissional, quando trabalhou em algumas das maiores seguradoras do Brasil, foram os seguros para médios e grandes riscos que conquistaram o seu interesse. O contato com grandes clientes aguçava a sua vontade de entender cada vez melhor os detalhes de cada risco envolvido nas diversas operações. Mesmo atuando na área comercial, Edmur se sentia um profissional técnico e estudou muito para ampliar seus conhecimentos, colocando teoria e prática lado a lado. “Eu aprendia muito diariamente porque esses clientes que tinham demandas ‘fora da curva’. O seguro era sob medida e se discutia até a virgula da cobertura e dos riscos excluídos, pois qualquer erro poderia significar prejuízos relevantes”, conta.

Há espaço para corretores

No atendimento aos clientes de grandes riscos, Edmur constatou que poucos corretores atuavam com o seguro garantia. “Havia grande carência de profissionais que entendessem os riscos e formulassem soluções de seguro. Porque, na verdade, não é missão da seguradora desenhar a melhor solução para o segurado. Esse trabalho deve ser do corretor”, afirma. Segundo ele, ainda que as poucas grandes corretoras de seguros atendessem uma parcela de clientes, muitos continuavam sem suporte.

Essa constatação de que poderia ser útil aos clientes trabalhando como corretor e consultor de seguros o levou a fundar a Alfa Real, em 1996. Naquela época, ele morava em Belo Horizonte e havia concluído o curso de corretor de seguros quatro anos antes, tendo conquistado a primeira classificação em nível nacional. Começou a corretora do zero, sozinho, e aos poucos construiu a sua carteira de clientes. Um dos fatores que o incentivaram a empreender foi a aprovação, em 1994, do seguro garantia como uma forma de garantia para licitações e contratos da administração pública (uma alteração feita na Lei 8.666/1993).

“A cada dia que passa, tenho mais certeza de que criar a corretora focada nessa modalidade foi a melhor estratégia de negócio”, afirma o executivo. Ao longo dos últimos 20 anos, a Alfa Real tem ampliado a oferta de produtos de seguros associados a essas licitações e contratos, como responsabilidade civil geral, riscos de engenharia, transporte, vida e acidentes pessoais de empregados, D&O, E&O e riscos cibernéticos.

Hoje, a corretora conta com nove profissionais técnicos e, apesar da crise, os negócios vão bem. “O ano de 2019 foi excepcional para nós e esperávamos manter o faturamento neste ano, principalmente porque carregávamos projetos de infraestrutura que, geralmente, têm um período mais longo de maturação. No entanto, os resultados obtidos até julho indicam que o faturamento de 2020 será superior ao de 2019, mesmo com o acirramento da crise brasileira devido à covid-19”, revela Edmur. Segundo ele, parte da explicação é a credibilidade da Alfa Real no mercado, o que é um diferencial num momento em que as empresas querem ter certeza de que todos os seus riscos foram considerados no desenho do seu painel de coberturas.

Atualmente, existem mais corretores em seguro garantia, mas ainda há espaço para novos profissionais. Para aqueles que desejarem “virar a chave” ou ampliar a oferta de produtos e seguir o seu exemplo, Edmur aconselha a especialização: “Estudem muito, façam cursos sobre seguros tradicionais, como riscos de engenharia, responsabilidade civil, E&O e D&O, e também os mais recentes, como paramétricos e riscos cibernéticos.” Por que estudar todos esses ramos? “Se o cliente perguntar ao corretor se tem seguro, por exemplo, para a Lei Geral de Proteção de Dados, ele precisa estar preparado para responder. Para tanto, precisa estudar”, explica o profissional.

Infraestrutura é dever de casa

Edmur lembra que, no passado, o seguro garantia de obras contratuais (GOC) era quase um “all risks”. O que ele deseja é justamente resgatar alguns aspectos desse modelo antigo para o que produto volte a ser mais robusto. “Hoje, após mudanças, o seguro garantia entrega um valor para que o segurado possa pagar a diferença de preço a maior caso precise, por exemplo, contratar uma empresa para concluir uma obra abandonada. Se ele contratar pelo mesmo preço, não haverá indenização. Mas existem outras obrigações vinculadas diretamente ao contrato que podem trazer prejuízos ao segurado”, diz.

A esperança de Edmur é que, em breve, o seguro garantia passe por grandes mudanças. Já está no Senado Federal para apreciação o PL 1292/95, que moderniza a Lei de Licitações (8.666), sancionada em 1993. Em tramitação há 24 anos, o projeto prevê a adoção de seguro garantia obrigatório para obras acima de R$ 200 milhões e a ampliação da garantia para 30% do valor do empreendimento. No âmbito regulatório, ele reconhece que o seguro garantia avançou bastante, mas ainda precisa melhorar em alguns pontos.

Segundo Edmur, a ampliação da garantia para 30% é importante porque pouco se podia fazer com os 5% atuais. No entanto, ele discorda daqueles que se preocupam com o provável aumento do preço do seguro. “É um pensamento ultrapassado, pois o aumento pode ser absorvido pelo setor. Essa discussão é infinitamente inferior ao propósito do produto de atender à sociedade. Se uma escola não é construída e um hospital não sai do esqueleto, quem perde é a sociedade. O seguro deve garantir a conclusão dessas obras”, diz.

Na avaliação do executivo, independentemente do viés ideológico do governo, cedo ou tarde, o Brasil terá de investir em infraestrutura. “É um dever de casa e vamos ter de fazer. Tem obras de infraestrutura para serem executadas por no mínimo 50 anos. Com isso, o Brasil criará um mercado gigantesco, pulará de patamar e haverá muito seguro – garantia e outros – para ser comercializado”, diz.

 

Texto: Márcia Alves

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