O seguro vai mudar, esperamos que para melhor

Ednir Fornazzari

O seguro automóvel como conhecemos não será mais o mesmo dentro de pouco tempo. Em breve, a Susep editará uma circular com novas regras e critérios para a operação. A mudança está em linha com o propósito da autarquia de simplificar a regulação do mercado de seguros para estimular a criação de produtos mais inovadores e disseminar o seguro no país.

Mas, as novas regras podem melhorar o seguro de automóvel? A ideia é esta. O que se espera é que as seguradoras possam desenvolver novos produtos, que os corretores tenham mais opções para vender e que os consumidores possam contar com um seguro mais simples, adequado e até mais barato. Algumas das mudanças propostas pela Susep, que ficaram em consulta pública até o início junho, são benéficas, outras, porém, somente o tempo dirá.

É benéfica, por exemplo, a possibilidade de o seguro automóvel ser contratado diretamente pelo segurado, sem a vinculação a um veículo específico. Em um país tão mal informado sobre seguros quanto o nosso, acredito que essa mudança possa até educar, aculturar o cliente a ter seguro para se proteger e conquistar tranquilidade. Porque seguro é essencial, todos os ramos e todas as formas.

Também é bem-vinda a possibilidade de utilização de peças usadas no reparo dos veículos segurados, como propõe a Susep. Não vejo nenhuma desvantagem, desde que as peças sejam de origem, tenham procedência. Inclusive, acredito até que seja uma medida ecologicamente correta.  As peças de carros sinistrados como perda total, que não têm mais conserto, além dos salvados, podem ser muito úteis para o cliente e até para a seguradora. Talvez, possam até reduzir o preço do seguro, já que a peça é usada.

A Susep propõe, ainda, mudar a regra de indenização do seguro automóvel, que é feita, tradicionalmente, com base no valor de cotação do veículo na tabela Fipe do mês de pagamento. A proposta é que a indenização passe a ser feita com base no valor da cotação na data da ocorrência do sinistro. Essa mudança é de suma importância para que o segurado não tenha perda caso a seguradora demore a pagar o sinistro.

Os três destaques que comentei acima podem, a meu ver, beneficiar o ramo de automóvel. Mas, devemos aguardar a publicação da circular para realizar uma análise mais precisa. Se as mudanças vierem para ajudar na venda do seguro e atender as necessidades dos clientes, serão apoiadas pela categoria. Sabemos da concorrência que afeta o ramo e, por isso, a expectativa é aumentar a base de clientes, preferencialmente com aqueles que nunca fizeram seguro.

Ednir Fornazzari é diretor secretário do Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP)

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