Trajetória do CCS-SP é relembrada em live do aniversário de 49 anos

História de fundação da entidade, que foi criada para dar voz aos corretores de seguros na época do regime militar, foi relatada pelo ex-mentor Adevaldo Calegari.

O Clube dos Corretores de Seguros de São Paulo (CCS-SP) realizou uma live especial com a participação de sua diretoria para celebrar o aniversário de 49 anos de existência, no dia 5 de outubro. Para marcar a data, a diretoria decidiu resgatar a história de fundação da entidade e a sua trajetória por meio do relato do ex-mentor Adevaldo Calegari, especialmente convidado para a missão.

Conhecido como um bom contador de histórias, Calegari, que foi mentor por duas gestões, entre 2014 e 2018, e atualmente integra o Conselho de Mentores, escolheu o ano de 1964 como ponto de partida para narrar a história do Clube. Naquele ano, a profissão de corretor de seguros foi regulamentada pela Lei 4.594 e, também, se instalou no país o regime militar.

O ex-mentor contou que entre 1965 e 1967, José Logullo, que teve participação ativa na fundação do Sincor-SP, em 1934, pensava em criar uma agremiação semelhante ao Clube dos Banqueiros e Seguradores, do qual era frequentador. Com esse propósito, ele se juntou ao também corretor Roberto de Souza Nazareth, mas não obteve sucesso.

Humberto Roncarati, José Logullo e José F. Miranda Fontana

“O regime militar impunha restrições à constituição de sindicatos”, disse Calegari, acrescentando que, infelizmente, Logullo e Nazareth faleceram antes da fundação do Clube, em 1972. O ex-mentor relata que, naquele período, muitos sindicatos atuavam por meio de suas associações, criadas para driblar o regime militar. Daí porque a estreita ligação do Clube com o Sincor-SP permanece até hoje.

“O Clube nasceu para dar voz aos corretores de seguros, então impedidos de se manifestarem livremente por meio de seus sindicatos”, disse. Calegari ressaltou que o Clube também cumpria o papel de representação da categoria, já que a Fenacor, apesar de ter sido fundada em 1968, apenas foi reconhecida em 1975.

Apesar do nobre propósito de fundação e da grande responsabilidade perante a categoria, o Clube também nasceu com a missão de atuar para o congraçamento dos corretores, segundo Calegari. “Por isso, o nosso logo são três elos, que representam o corretor, o segurado e a seguradora”, disse.

O mentor Evaldir Barboza de Paula acrescentou que o Clube tem outros diferenciais, como a direção de um mentor e não de um presidente, além de outros símbolos. “Na transmissão de comando durante a posse, há uma ritualística que sempre foi observada. O mentor recebe do seu antecessor um timão, o secretário um abacaxi, o tesoureiro uma caixa de moedas e os membros da Junta Fiscalizadora uma lupa”, disse.

Símbolos do Clube

Fato marcante

Segundo Calegari, em 1974, dez anos após regulamentação, a profissão de corretor não estava consolidada e ainda sofria ameaças. Ele contou que uma delas foi o Projeto de Lei nº 1290-A, que propunha a modificação da Lei 4.594, especificando que o exercício do seguro poderia ser feito sem corretor até o limite de cinco salários mínimos.

Calegari relata que José Francisco de Miranda Fontana ficou sabendo do projeto no mesmo dia da sua posse na mentoria do Clube, em outubro de 1974. “Ele mudou seu discurso de posse e mais tarde criou a Comissão dos Quatro, juntamente com os Sincors de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que foi à Brasília e conseguiu alterar o projeto”, disse.

Anos depois, a Comissão dos Quatro seria fundamental para a conclusão do processo de reconhecimento da Fenacor, com sua primeira diretoria, em 1975, composta por diversos membros do quadro associativo do CCS-SP.

Outro feito do CCS-SP, recordado pelo ex-mentor, foi a edição do JCS – Jornal dos Corretores de Seguros, durante 14 anos. Segundo ele, o jornal pertencia ao Sincor-SP, que editou apenas seis números em 1979 e transmitiu a responsabilidade ao Clube por causa do regime militar. Em 1993, o JCS voltou para o Sincor-SP. “Desde então, o Clube tem um espaço permanente no JCS”, disse.

Reconhecimento

Calegari destacou que após a consolidação da categoria, na década de 90, o Clube assumiu o papel de fórum de discussões e de aglutinador do mercado, atuando em parceria com seguradoras. “Além de um celeiro de talentos, o Clube se tornou um selo de qualidade para seus associados”, disse, acrescentando que até hoje um dos requisitos para a filiação é a indicação de outros dois associados.

O ex-mentor registrou, ainda, o reconhecimento do mercado ao trabalho do Clube, que ao longo de sua trajetória recebeu diversas homenagens. Dentre elas, a Salva de Prata concedida pela Câmara Municipal de São Paulo por ocasião dos 40 anos e dos 45 anos. Em seguida, ele elogiou a gestão do mentor Evaldir Barboza, que, a seu ver, implantou uma nova forma de relacionamento para superar os desafios da falta de contato social na pandemia.

“Tivemos de nos reinventar e construir uma programação para manter o Clube ativo e levar informações aos associados”, disse o mentor. A diretora Ivone Gonoretske cumprimentou Calegari, a quem classificou de “memória viva” e elogiou Evaldir Barboza. “Ele é incansável e se dedica ao Clube”, disse.

O tesoureiro Nilson Moraes falou do orgulho de pertencer ao Clube, lembrando que diversos presidentes do Sincor-SP saíram do quadro de associados da entidade. A diretora Marcia Del Bel reconheceu que o Clube tem uma bela história. “Os símbolos representam valores, que são o que levamos dessa vida”, disse.

O diretor Gilberto Januário agradeceu a dedicação do mentor e expressou seu desejo pela volta dos eventos presenciais. O secretário Ednir Fornazzari também elogiou o mentor e agradeceu a oportunidade de ocupar o cargo pelo qual muitos expoentes do mercado passaram. “Nossa história é muito importante e bonita e vamos sempre recontá-la. Quem não tem passado, não tem presente”, disse o mentor.

No encerramento, Evaldir Barboza enalteceu seus assessores, Katia e Marcia Alves, pelo notável trabalho nessas quase duas décadas, encerrando o evento com uma salva de palmas em comemoração aos 49 anos da associação.

texto: Márcia Alves

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